Brasil entra no mercado cada vez mais disputado de aeronaves sem piloto, usadas para missões militares ou de monitoramento
Se depender dos avanços da tecnologia e de um mercado que cresce a cada dia, não vai demorar muito para que tenhamos sobre nossas cabeças cada vez mais aeronaves que vão informar a situação de florestas, plantações e depósitos naturais de minérios. Esses espiões, mais conhecidos pelas siglas Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado) ou UAV (em inglês), ganharam os céus graças aos militares, sempre sedentos por informações para o combate, mas conquistam cada vez mais o espaço aéreo global para fins civis.
Graças à sua supremacia bélica, os EUA são os líderes dessa tecnologia. O país possui nada menos que 7 mil unidades dos aviões apenas para uso militar. A administração Obama aumentou a sua aplicação nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Osama bin Laden, inclusive, só foi encontrado no Paquistão graças a imagens feitas por Vant. O mesmo ocorreu na semana passada, quando um Vant atuou no cerco ao comboio de Kadafi.
As aeronaves são controladas por uma central em solo e capazes de pousar e decolar sozinhas. “A vantagem dos Vant é que dá para encaixar qualquer coisa neles: câmeras, equipamento de espionagem ou armas”, disse Dennis M. Gormley, pesquisador da Universidade de Pittsburgh (EUA), ao jornal “The New York Times”.
Apenas EUA, Israel e Reino Unido confirmam o uso dessas aeronaves em ataques, mas especialistas estimam que mais de 50 países fabriquem ou comprem Vant – e o número aumenta a cada dia. A Alemanha recentemente apresentou o seu, batizado de Euro Hawk, e fabricantes chineses demonstraram 25 modelos no ano passado. A maioria dos veículos, no entanto, é usada para monitoramento.
É nesse nicho que aposta Adriano Kancelkis, diretor-presidente da AGX Tecnologia, de São Carlos (SP). Criada em 2002, a empresa começou a comercializar Vant neste ano. “A maior aplicação ainda é o monitoramento de lavouras”, diz o empresário. Recentemente, a AGX cedeu dois aviões para a Polícia Militar paulista, que os utiliza na detecção de crimes ambientais, como queimadas e desmatamentos.