12/02/2012

Itália deve reduzir seu pedido de caças F-35 em 31 unidades



A Itália parece decidida em reduzir seu grande investimento nos caças F-35 Joint Strike Fighter da Lockheed Martin, aumentando a incerteza sobre o futuro do conturbado jato furtivo.


O ministro da Defesa da Itália, Giampaolo Di Paola, disse repetidas vezes desde janeiro que o país havia planejado originalmente encomendar 131 unidades do caça supersônico até 2018, e que estava revisando seu plano devido aos cortes de gastos militares necessários como parte do plano de austeridade do primeiro-ministro Mario Monti para reforçar as contas públicas.


O General Claudio Debertolis, secretário-geral do Ministério da Defesa e chefe de aquisição de armamentos do país, confirmou aos parlamentares na terça-feira que os cortes eram esperados.

“Haverá uma revisão do programa Joint Strike Fighter para alinhá-lo com os recursos descartáveis”, disse ele.

A Itália vai pedir cerca de 30 aviões a menos, informou o diário Corriere della Sera nessa sexta-feira, sem citar sua fonte. A Revista Panorama deu o mesmo número no dia 18 de janeiro.

Fontes do governo e legisladores, disseram que era prematuro dizer quantos dos caças F-35 a Itália vai pedir por causa da incerteza sobre a versão da aeronave projetada para decolagem curta e pouso vertical (STOVL). Esta versão deve substituir os antigos jatos Harrier no novo porta-aviões Cavour da Itália.

Na terça-feira, o Gabinete de Monti vai examinar o plano do Ministério da Defesa do novo investimento, que inclui uma redução de gastos no F-35 e cortes de pessoal, de acordo com uma fonte do governo. O ministro então passará os detalhes do pacote para o parlamento na quarta-feira.

O Escritório do Programa F-35 do Pentágono não quis comentar sobre os planos da Itália, dizendo que todos os países parceiros se encontrarão na Austrália em março para discutir o seu planos de produção.

Cortes no Pentágono

A incerteza sobre o mais caro programa de defesa do Pentágono está crescendo enquanto os países participantes cortam ou adiam as encomendas, embora os testes de vôo continuam.

Washington deve anunciar na segunda-feira que vai adiar a produção de 179 aviões nos próximos cinco anos, reduzindo o total que deveria ser encomendado entre 2013 e 2017 de 423 para 244 unidades.
Em janeiro, o Pentágono anunciou um corte de US$ 487 bilhões na área de defesa na próxima década.

“É razoável fazer o que o governo americano está fazendo, reduzir o número de encomendas e espalhá-las ao longo de um período mais longo”, disse Federica Mogherini, secretária da comissão de defesa da Câmara de Deputados Italiana e umm integrante do Partido Democrata centro-esquerda, o segundo maior bloco de apoio ao governo tecnocrata Monti no parlamento.

“Não é ainda necessário estabelecer o número total de aviões que vamos pedir, porque os custos estão evoluindo, e todos os problemas técnicos ainda têm de ser resolvidos”, disse ela.

Alguns dos problemas técnicos mais importantes dizem respeito ao modelo de decolagem curta, que teve problemas no motor, e precisava de um redesign antes do tempo devido ao excesso de peso. Recentemente, houve preocupações com a fadiga de metal num anteparo, superaquecimento das peças e de vibração em excesso nas portas para uma das entrada de ar.
 Somente os Estados Unidos e Itália, até agora, disseram que planejam comprar a versão STOVL da aeronave.

A Austrália também disse que está repensando seu plano de comprar 12 dos jatos furtivos, e a Turquia adiou a compra de dois deles. A Grã-Bretanha disse no início deste mês que ela não vai assumir um compromisso firme sobre o número de aviões até 2015. Os outros parceiros na construção conjunta do plano são a Dinamarca, Noruega, Holanda e Canadá.

A Itália é o terceiro investidor no programa, depois dos Estados Unidos e Grã-Bretanha. A Itália está em processo de encomendar seus primeiros três aviões por US$ 240 milhões, disse Debertolis.

Os parlamentares centro-esquerda pediram cortes na defesa enquanto Monti define medidas de austeridade neste ano para “salvar a Itália”, atingindo os italianos com pensões menores e maiores custos de combustível, de propriedade e impostos sobre as vendas, destinadas a eliminar o déficit orçamentário até 2013.

Dois jornais alinhados com o partido democrata de centro-esquerda criticaram os gastos com o programa F-35 numa série de artigos durante a primeira quinzena de janeiro.

A estatal Finmeccanica é uma das empresas subcontratadas para o projeto. A unidade da Finmeccanica, a Alenia, vai montar os aviões comprados pela Itália, Holanda e Noruega.

“Mesmo que a encomenda que fizermos seja muito menor do que os 131 que pretendíamos, o trabalho da Itália na aeronave ainda está garantido”, disse Debertolis aos legisladores. “Nós poderíamos ter uma diminuição significativa nas encomendas e ainda manter intacto o papel industrial da Itália.”


Fonte: Reuters – Tradução: Cavok

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